Sublime

Marco Lucchesi falou sobre Euclides da Cunha no último "Letra em Cena. Como ler...", em 2019

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Foto: Divulgação/ Minas Tênis Clube

O “Letra em cena. Como ler...”, programa literário do Minas Tênis Clube, teve a última sessão da temporada 2019, em novembro. A palestra sobre Euclides da Cunha e sua principal obra, o romance “Os Sertões”, foi proferida por Marco Lucchesi, atual presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) e professor de literatura da UFRJ.  A leitura do texto “Estouro da boiada”, do autor focalizado, foi feita por Arildo de Barros, ator do Grupo Galpão. O programa estará de volta, em sua quinta temporada, na agenda de atividades do Centro Cultural Minas Tênis Clube em 2020, com temas e datas a serem divulgados no próximo ano.

Marco Lucchesi afirma que Euclides da Cunha era um autor fascinante. “Ele gostava de matemática e trabalhava com a filosofia. Sua prosa é cheia de uma perspectiva rítmica. Euclides se sentia atraído por uma série de questões de seu tempo”, disse. Lucchesi afirma que como Camões, Euclides da Cunha ajudou na expansão a língua. “Camões alargou as fronteiras da língua portuguesa, levou para outros lugares, novos espaços. Euclides fez o mesmo com a linguagem do sertanejo, dos grotões com a forma de falar do povo do sertão nordestino”, atesta.

Outra observação de Marco Lucchesi sobre a escrita de Euclides é o ritmo. “O texto de Euclides possui ritmos variados que vai do adágio até o alegro. Algumas vezes tem staccato”. O presidente da ABL diz que o escritor era muito cuidadoso com a escolha das palavras. “Euclides estudava cada palavra e quando não encontrava, ele parava a escrita até achar”, contou.

O palestrante também ressaltou a forma como o autor mostrou a Guerra de Canudos. “A grandeza de Euclides é mostrar, de forma distante, as questões do movimento que para os do sul do país, parecia uma insurgência e causava medo. Euclides apresenta todas as análises do momento”, explicou Lucchesi. “Toda o século XIX está na obra de Euclides da Cunha e a obra serve como uma prestação de serviço ao leitor, para seu conhecimento e entendimento do ambiente”, explicou. Nessa obra específica, Euclides quase é um historiador. “Euclides saiu da antropologia física e foi para a psicológica. Ele começou a conhecer as línguas, as cadências, as formas do comportamento do sertanejo”, ressaltou Lucchesi.

“Euclides nunca renunciou à sua consciência artística”, disse Lucchesi que afirmou que “a obra de arte é uma conquista. E como diz Umberto Eco (1913 – 2016) a arte é sempre preguiçosa para dar serviço ao leitor”, explicou.  Por fim, Marco Lucchesi reconheceu e afirmou que “toda época tem o seu sublime. Euclides foi um sublime de seu tempo”.