Como ler Lúcio Cardoso

A obra do escritor mineiro de Curvelo é o tema do Letra em Cena, dia 10

Como ler Lúcio Cardoso


Romancista, poeta, memorialista, dramaturgo, argumentista, roteirista de cinema e pintor, Lúcio Cardoso (1912 – 1968) é o tema do programa literário do Minas Tênis Clube, “Letra em cena. Como ler”, na próxima terça-feira, dia 10, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (CCMTC). A análise da obra do autor mineiro, nascido em Curvelo, será feita pelo professor da Faculdade de Letras da UFMG Jacyntho Lins Brandão. A leitura dos textos será feita por Odilon Esteves, ator da Cia. Luna Lunera. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da Sympla. Classificação: livre.

“O que distingue a obra de Lúcio Cardoso é o trabalho com a linguagem, em que nada se apresenta como dispensável. Há um cuidado extremo, num registro do português do Brasil que se poderia dizer ‘clássico’, o que se verifica mesmo no primeiro dos seus livros, ‘Maleita’, de 1934, o qual, tendo em vista que a ação se desenvolve em Pirapora, poderia ter enveredado pela vertente do romance regionalista. Esse estilo muito elaborado, mas que foge dos excessos de qualquer tipo de barroquismo, vai se aprimorando com o tempo, até o ponto culminante, que é ‘Crônica da casa assassinada’, de 1959. Tal maturidade da escrita está presente também em ‘Baltazar’, obra inacabada, publicada postumamente em 2005. São frases longas, muito elaboradas, sem concessões a qualquer simplismo, com um vocabulário e sintaxe sofisticadíssimos”, explica o professor Jacyntho Lins Brandão

O atro Odilon Esteves no programa literário do Minas Tênis Clube (Foto: Orlando Bento)O ator Odilon Esteves no programa literário do Minas Tênis Clube (Foto: Orlando Bento)

Estudos afirmam que a obra de Lúcio Cardoso se classifica como literatura psicológica, aquela que se envereda pelos meandros íntimos das personagens. Porém, de acordo com o professor, isso é apenas uma das características da escrita do autor. “Classificar sua obra como psicológica responde só em parte ao que ela é. Talvez, falar de ‘intimismo’ fosse algo mais adequado. Seu mergulho nas contradições do ser humano tem como ponto de ancoragem uma concepção metafísica do mundo, de que lhe interessa o problema do mal, sobretudo  como uma espécie de indiferença que corrói e atormenta, causando medo”, analisa o palestrante.

Jacyntho Lins Brandão, professor da faculdade de Letras da UFMG, explicará as letras de Lúcio Cardoso (Foto: Foca Lisboa)Jacyntho Lins Brandão, professor da faculdade de Letras da UFMG, explicará as letras de Lúcio Cardoso (Foto: Foca Lisboa)

O professor esclarece a relação entre as obras de Clarice Lispector e Lúcio Cardoso, apontada por especialistas. “Tanto Clarice quanto Lúcio são de uma estirpe de escritores brasileiros que, no século XX, seguiram por caminhos que fugiam do regionalismo e outros ‘ismos’. Talvez se possa falar não tanto de ‘influência’, termo que se aplicaria mal aos dois, mas de compartilhamentos. Isso com ambos conservando um estilo de escrita muito próprio”, explica o palestrante, acrescentando que a homossexualidade influenciou a escrita de Lúcio Cardoso. “Ser homossexual fez acirrar os conflitos entre uma formação muito tradicional, católica, do interior de Minas - cumpre lembrar que ele nasceu e cresceu em Curvelo -, talvez lhe dando a experiência do que significa viver em perigo”, afirma.

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Serviço
Data: 10 de setembro.
Horário: 19h.
Local: Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia 2.244 – Lourdes).
Classificação: livre.
Inscrições gratuitas: www.sympla.com.br