Como ler Carolina de Jesus

A obra de uma das primeiras escritoras negras do Brasil é tema do Letra em Cena

Como ler Carolina de Jesus


 

A edição de julho do “Letra em Cena. Como ler...”, programa literário do Minas Tênis Clube, apresenta, no 2 (terça-feira), às 19h, no Café do CCMTC, a obra da mineira Carolina de Jesus (1914 -1977), uma das primeiras escritoras negras do Brasil. A professora da UFOP Elzira Divina Perpétua, autora do livro “A vida escrita de Carolina Maria de Jesus”, será a palestrante da sessão em homenagem à escritora, que também foi compositora e poeta e é foco de estudos dentro e fora do Brasil. A leitura dos textos de Carolina será feita pela atriz Carlandréia Ribeiro. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site da Sympla (www.sympla.com.br). Classificação: livre.

Carolina de Jesus morou na favela do Canindé, em São Paulo, e trabalhava como catadora de papel. Ela ganhou projeção nacional, quando seu diário foi descoberto e publicado, em 1960, com a ajuda do jornalista Audálio Dantas (1929 – 2018). Com título “Quarto de Despejo”, o livro foi traduzido para 14 línguas.  “O diário foi reconhecido nos anos 1960 como uma espécie de manifesto coletivo, embora seja uma escrita pessoal, um documento de valor sociológico, que expõe as condições miseráveis de uma população segregada nas grandes cidades e foi escrito pela primeira vez por alguém que vivia naquele meio”, explica a professora Elzira, acrescentando que, quando “Quarto de Despejo” foi publicado, os movimentos sociais cresciam no Brasil, na esteira das manifestações contra a segregação racial nos Estados Unidos e da luta dos países africanos pela independência. “O diário de Carolina chegou naquele momento, em vários países, sendo que, em alguns, continuou sendo publicado em novas edições”, afirma.

Elzira Pérpertua fala sobre Carolina de JesusElzira Pérpertua fala sobre Carolina de Jesus - Foto: Danúsia Monteiro Gomes

Para a professora Elzira, a obra de Carolina de Jesus faz parte da história nacional e sua leitura é necessária nos temos atuais. “Penso que os livros de Carolina são parte da memória cultural do país e, por isso, devem ser conhecidos. Houve um momento na história brasileira que uma mulher negra, paupérrima, com baixa escolaridade, mãe de família, escrevia sobre sua vida e o que ela observava no dia a dia, ao percorrer as ruas da maior cidade da América Latina. Não se pode negar que isso tenha importância. Carolina tinha o que dizer e sabia como escrever. Seus erros ortográficos significam pouco diante de sua expressividade”, ressalta Elzira.

A próxima sessão do “Letra em Cena. Como ler...” será dedicada à poesia de Paulo Leminski (1944-1989), sob o olhar de Tarso de Melo, advogado, filosofia e professor da USP. No Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube, às 19h, com entrada franca e inscrições feitas no site da Sympla.

 

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Serviço

Data: 2 de julho, terça-feira.
Horário: 19h.
Local: Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia 2.244 – Lourdes).
Classificação: livre.
Inscrições: www.sympla.com.br, gratuitas.