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Yamas

Hoje, vamos completar o estudo dos yamas, parte da filosofia do yoga, que diz respeito ao código de conduta social, princípios a serem observados no convívio com o outro.

Para falar, convidei Taianna, instrutora de ioga do clube.

Taianna é formada em Hatha Yoga Integral, Swasthya Yoga e Ioga para crianças. Se dedica exclusivamente às aulas e estudo do ioga, de coração e mente abertos. Busca oferecer a seus alunos a oportunidade de respeitar e explorar suas limitações e emoções. Para ela, o ioga é uma ferramenta universal de desenvolvimento e transformação.

Satya e Asteya

Por Taianna Paula Dias de Oliveira

Satya é um dos Yama  proposto por Patânjali, representa a verdade.

Não há palavra que possua um significado tão elástico quanto essa. Para cada ser humano no planeta existe uma verdade pela qual ele se orienta. Isso acontece porque ninguém a conhece realmente.

Talvez o verdadeiro sentido de verdade nesse método esteja relacionado a não mentir, evitar um comportamento hipócrita, assumir a própria natureza, não criar máscaras para ajustar-se às exigências externas, assim por diante. Acreditar que algo tão poderoso e desconhecido quanto a Verdade faça parte da conduta de um praticante de ioga é utopia. A Verdade é o fim e não o meio.

Foto: Reprodução ShutterStockFoto: Reprodução ShutterStock

É impossível crescer espiritualmente e encontrar a realização sem a verdade. Ser sincero com os outros nem sempre é fácil, mas é poderoso quando você o é. De igual importância é a noção de ser verdadeiro sobre sua prática de ioga. Se você está cansado, ferido, se recuperando de uma doença ou cirurgia, ou está comendo e bebendo demais, reconhece-o e adapta sua prática de acordo. A sua abordagem à ioga deve estar alinhada com a sua verdade.

Asteya é outra norma ética dos Yogis, que significa não roubar. Asteya significa, em sânscrito, não furtar ou não se apropriar do que não nos pertence. Em outras palavras: “Asteya significa pegar ilegalmente coisas pertencentes a outrem. É abstenção dessas tendências, mesmo que em pensamento”.

Asteya não deve ser interpretada apenas como abstinência de roubo, mas como abstinência de qualquer tipo de apropriação indébita. O Yogi não pode se permitir apropriar-se do que não lhe pertence propriamente, não apenas dinheiro ou bens, mas até mesmo coisas intangíveis, porém altamente vantajosas, como crédito por coisas que não fez ou privilégios que de direito não lhe pertençam. Somente quando uma pessoa consegue eliminar, até certo ponto, esta tendência à apropriação indébita em suas formas mais grosseiras, é que começa a descobrir as formas mais sutis de desonestidade que permeiam nossa vida e das quais dificilmente nos conscientizamos.”

Roubar é pegar o que não foi dado, e compreende desde o roubo armado até tomar emprestado algo e não devolver. Eximir-se de pagar os impostos que deveríamos é outra forma de roubo, assim como pegar artigos de nosso local de trabalho para o nosso uso pessoal. Asteya está muito relacionado com os outros Yamas (Ahimsa, Satya e Aparigraha). A origem do ato de furtar pode estar intimamente ligada ao apego, que é o principal impedimento para o desenvolvimento da determinação de ser livre, e que contraria outro yama: aparigraha.

Assim, asteya pode ser compreendido de forma mais abrangente, incluindo o cultivo da integridade e a utilização somente do que é realmente necessário e indispensável.

A partir do reconhecimento desse estado de integridade, tomamos do universo, do planeta e dos demais seres vivos apenas aquilo que é necessário. Para se ter clareza a respeito do que é o “suficiente” e que realmente precisamos, devemos entrar em alinhamento com o valor da não-violência (ahimsa), em primeiro lugar, e com o valor da verdade (satya), em segundo.

Fontes:

http://www.jequitinhonha.org.br

- https://www.eusemfronteiras.com.br/satya-a-verdade/