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O que elogiar? A inteligência/talento ou o esforço/trabalho árduo?

Quando uma criança tem sucesso em alguma tarefa, as pessoas envolvidas no processo educacional – pais, treinadores e professores – falam o quanto elas são inteligentes por terem atingido aquele objetivo. No entanto, as pesquisadoras Claudia Mueller e Carol Dweck (1998) observaram alguns pontos relevantes do ato de elogiar.

Os elogios recebidos por apresentar um talento esportivo ou pela inteligência ao conquistar algum objetivo ou executar com sucesso alguma ação podem influenciar a criança a mudar a maneira de fazer a tarefa, escolhendo tarefas mais fáceis ou, até mesmo, “trapaceando”, como forma de sempre manter o status de “inteligente”.

Dizer às crianças que elas são inteligentes, ou talentosas, quando elas executam alguma tarefa, pode fazer com que elas desejem continuar a provar que são inteligentes, não importando como, somente para receber altas pontuações na tarefa. Sendo assim, podem passar a associar as falhas e insucessos nas atividades, como diminuição da sua inteligência, tornando estes momentos da aprendizagem como algo bem negativo.

Reprodução ShutterStockReprodução ShutterStock

O elogio pela inteligência, mesmo quando se segue um verdadeiro sucesso, ensina às crianças que podem medir sua inteligência de quão bem eles fazem alguma coisa. Portanto, se posteriormente o desempenho for ruim, a autoavaliação da inteligência será proporcionalmente negativa.

Por outro lado, o elogio relacionado ao esforço pode levar a criança a se sentir capaz de concentrar no desenvolvimento de suas habilidades por meio do domínio de novos materiais. Pode a orientar em direção aos seus objetivos associados à alta motivação de realização, bem como exibições continuadas de persistência, prazer e bom desempenho em face dos contratempos.

Em outras palavras, crianças elogiadas pelo seu árduo trabalho atribuem seu desempenho ao esforço, que pode variar em quantidade, em vez de uma capacidade estável. Assim, eles interpretarão baixo desempenho como um lapso temporário no esforço e não como um déficit de inteligência.

Portanto, elogio ao trabalho duro pode fomentar melhores comportamentos adaptativos pelas crianças após falhas do que para as crianças que foram elogiadas pela inteligência.

No esporte, podemos encontrar incontáveis casos de atletas que, quando crianças, não eram considerados talentosos, inteligentes ou até mesmo aptos à competição. Mas, por meio da capacidade de aprender com falhas e erros durante o treinamento, se esforçaram muito para o seu desenvolvimento e se tornaram grandes campeões em suas modalidades.

Que esses exemplos de superação e persistência perante momentos de aparente derrota possam inspirar os nossos jovens alunos e futuros campeões a não desistir quando encontrarem as muitas dificuldades que terão no seu desenvolvimento.

Até a próxima!